8 Dias – minissérie

Esta minissérie alemã me fez lembrar um filme também alemão, de Win Wenders, “Até o fim do mundo” (Until the end of the world, 150 min, 1991). Este filme mostra uma visão futurista no decurso da mudança do milênio, 1999-2000. A ligação que faço tem a ver com o enfoque catastrófico de um fim de mundo através de um elemento que virá do alto. Em “Até o fim…”, a população amedrontada tenta um caminho que a leve para longe de um satélite nuclear que pode cair em algum momento. A minissérie aborda a ameaça da queda de um meteoro na Europa que acontecerá em 8 dias.

Não vou buscar outras semelhanças entre os filmes, mas, a cena de um congestionamento numa estrada, em que o trânsito vai para um lado da tela e o carro que estamos acompanhando segue em direção oposta… Bem, se estou mencionando a minissérie ou o filme de Wenders? Sim, há uma cena análoga nos dois.

O filme de Wenders foi um marco, que eu tive a sorte de ver na época (91-92). Entre todas as coisas inusitadas, fiquei encantada com as cenas que mostram a pessoa falando em vídeo no celular, e o sistema de busca que dizia: I’m searching, I’m searching… Não vi, mas sei que há uma versão completa deste filme com duração de quase cinco horas.

familyBom, volto a atenção apenas para a minissérie “8 dias”.

Vou mencionar algo, mas, muito pouco sobre ela, pois, não quero atrapalhar as emoções. Eu gostei de assistir. É muito bem feita e percebo uma ênfase nos trabalhos de atores. O que vou destacar se liga aos personagens.

O primeiro é basicamente um episódio de apresentação da história, dos personagens que atuarão e das circunstâncias principais que estão envolvidos e que alavancam os conflitos. Ao mesmo tempo em que o assistia, não pude desvincular a semelhança com um capítulo de novela, inclusive, este também tem em torno de 40-50 minutos.

A partir do segundo, os primeiros minutos iniciais vão mostrar algo de um certo passado que trará mais luzes sobre a personalidade de um personagem em destaque naquele momento. Vamos ver:

No segundo episódio, uma legenda informa que tais cenas acontecem aos 40 dias antes do tempo em que decorre a história. Em um hospital, a médica Susane atende a um paciente no leito, o jovem Ben. Aqui, a história revela um pouco mais da esposa, além do que já vimos no primeiro episódio, e também do rapaz que vamos continuar acompanhando e que tem motivos de sobra para perder a cabeça.

Deixando claro: O tempo da história se passa durante os oito dias, cada episódio equivale a um dia.

Os eventos das cenas iniciais do terceiro episódio acontecem antes ainda, aos 320 dias do tempo da história. O jovem Robin, ex-prisioneiro e assassino, é destinado a atuar junto à igreja católica para cumprir a liberdade condicional. Mas, as ações deste personagem me fazem pensar que há uma crítica que relaciona fé cega à ignorância, que ele representa.

O quarto episódio mostra o primeiro encontro do político Hermann com a mulher Marion, que estará grávida durante todos os oito episódios. A história vai se preenchendo para dar o sentido desejado, criando possibilidades de compreensão e ou aceitação daqueles personagens. Mas, nem tão simples assim. Os conflitos se multiplicam e geram tensões.

polO tempo mais remoto, 58 anos antes do impacto, acontece nas cenas iniciais do quinto episódio. Nestes poucos minutos iniciais dos episódios, do segundo ao oitavo, ficamos sabendo tantas coisas que nos deixam surpresos. Uma delas, o amor de Egon que atravessa décadas. Podemos, então, entender que o amor que não é vivido na sua plenitude “mata mais do que bala de revolver”. Diante disso, o fim do mundo pelo impacto previsto é aceito por Egon, pois indica o fim de suas angústias. Mas…

O sexto episódio nos revela sobre Nora e o pai Klaus. Todos os personagens se interligam. Parece que nenhum deles tem importância menor ou maior que o outro. Embora haja cenas, digamos que “pecaminosas” em certo sentido, percebemos a força da mulher nos episódios; em Susanne, nas suas atitudes de enfrentamento e coragem; em Nora, também nas ações espontâneas de fazer o justo; sem contar a grávida…

O Museu de História Natural de Berlim é o cenário das primeiras cenas do sétimo episódio. A família Steiner se debruça sobre a história de meteoritos que caíram na terra há milhares de anos e também sobre o meteoro Horus que ameaça desabar em poucos dias. Tal locação volta no contexto da história, no mesmo episódio, quando percebemos que o lugar histórico e representativo para o casal passa a ser o lugar da esperança de vida para a família. No entanto…

Deniz é o personagem de destaque no oitavo episódio. Nas cenas iniciais, conhecemos mais sobre o policial, um personagem que tenta ser correto e humano, e que teve um convívio familiar tumultuado…

Ana Muniz

Moral da história dos personagens: Ninguém é perfeito.

Atores mencionados neste texto:

Susane – Christiane Paul
Ben  – Thomas Prenn
Nora – Luisa-Céline Gaffron
Klaus – Devid Striesow
Deniz (Murathan Muslu)
Robin – David Schütter
Hermann – Fabian Hinrichs
Marion – Nora von Waldstätten
Egon – Henry Hübchen

8 dias (8 Tage) Alemanha. Minissérie de tv, drama, 2019. Oito episódios de
mais ou menos 40 min cada. Direção: Michael Krummenacher – Stefan Ruzowitzky.
Roteiro: Peter Kocyla, Rafael Parente, Benjamin Seiler .
(Globoplay)

Yesterday

JL

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Se perdemos o referencial do passado, o presente/futuro fica vazio e nesse mundo não há espaços para o nada.  É uma ilusão achar que as coisas são o que são, elas se tornam aquilo que acreditamos. Mas, não é falso acreditar que vivemos num mundo cada vez mais mentiroso. Ou, não é mentiroso acreditar que vivemos num mundo cada vez mais falso.

YESTERDAY

O artista do filme é fake e passa para trás a produtora, além de mostrar os rios de dinheiro que correm além do palco.

Mas, o ator é muito bom.

Até o aparecimento do John Lennon com 78 anos de idade estava tudo indo bem, eu tinha boas esperanças, mas, depois desandou para o final e me lembrou qualquer filme de amor.

Putz! Acho que eu não deveria escrever nada hoje…

Eu estava gostando daquela coisa de ninguém saber quem é ou quem foi Beatles. Achei incrível esse mundo pensado sem Beatles, sem Coca-Cola, sem cigarros e… (Não vou falar)

Tem que ver no cinema porque parece que estamos assistindo presentes ao show. É uma experiência incrível, mas é passageira.

Aquele casal destoante achei ótimo! Dá para pensar em qualquer coisa comum, como “eles vão denunciar”, mas, não, é surpreendente.

Beatles foi a grande referência para tantos grupos de rock. Sem Beatles, sem tantos outros!

Lennon, se vivesse, estaria isolado e só? Mas, de verdade, como foi bom vê-lo!

Não, não é rock, é Beatles. Beatles passa a ser um gênero musical.

Por hoje é só.

Ana Muniz

YESTERDAY, 2019, 1h 56min, comédia. Direção Danny Boyle. Roteiro Richard Curtis. Atuam Himesh Patel, Lily James, Sophia Di Martino, e outros. (O filme tem uma ficha técnica imensa!)

Curta metragem, dois filmes

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Dois filmes de curtas metragens que assisti num recente festival falam do comportamento humano em relação a filhos ainda crianças. Ambos mostram a fragilidade infantil perante aos adultos. Por exemplo, no curta americano PELE, o menino convive com os pais que praticam tiro ao alvo e têm armas de fogo em casa. Em um dado momento, o inocente usa a arma sem consentimento e em desobediência à mãe que pede pra ele ficar em um certo lugar e quieto, perante a situação conflituosa que se passava. Mas, a criança, pensando que poderia defender a mãe, usa a arma e o resultado é fatal.

A história do filme O PRESENTE DE NATAL, romeno, aborda questões de conversa entre os pais, em relação àquilo que o filho pequeno escutou desta conversa. A criança ouve a fala dos adultos e faz uso literal da informação, provocando uma ameaça para o pai, que tem que correr atrás daquilo que não deve ser dito. O menino na sua idade não faz ainda discernimento entre o que é ou não é. Embora este assunto pareça trivial, a reiteração deste tipo de abordagem é sempre útil.
Neste segundo filme, a palavra torna uma arma invisível quando cai na cabecinha do pequeno, pois ele ainda não compreende o verdadeiro sentido dos termos, ele está ainda crescendo, se formando.

Os dois filmes não têm ligação entre si, mas se relacionam pelo que aborda da temática infantil, dado o sentido letal das duas armas, uma visível, outra não.

Isso me instiga a pensar: Estamos aptos para educar os filhos? O quanto nos esforçamos para isso?

Ana Muniz

Filmes do 30. Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo (2019):

PELE (original Skin),  direção Guy Nattiv, Estados Unidos, 20min
O PRESENTE DE NATAL (original Cadoul de Craciun), direção Bogdan Muresanu, Romênia, 20 min

ROMA, de Alfonso Cuarón

Um pouco de AMOR.

Para muitos letristas e poetas o amor tem múltiplas formas, e quando o assunto é entre um casal, quando ele acontece, não há como escapar de suas inspirações. Ele se manifesta em todas as ações da pessoa, se faz presente e quer presença. Nada vale sem amor, dizem outros, o amor supera tudo, ele vai além do que se espera. Para os descrentes, vem aquele que viveu e viu afirmar: O amor existe! Outros dizem, é um tiro certeiro que marca e dá sentido à vida.
Mas, ouço o poeta dizer que para viver o amor é preciso aceitar a dor. Talvez o risco da dor. Isso dá a entender que nada é para sempre. Mas o “para sempre”, já disseram, sempre acaba. E pode acabar no amor? Na dor? Ah! Quem está preocupado com o fim? Um espectador de ficção, talvez.
E ainda, aquele poeta afirmou: “O amor dura só um dia”. SQN. Isso não seria amor como dá para supor com as letras acima. Seria uma metáfora? Ou…

ROMA, o filme.frame filme

O fato é que a convivência que se supõe advir de uma união amorosa vai muito além do número dois. Tem família, cachorro, crianças, e tudo o mais. E o amor pode se fazer presente em cada detalhe.

Mas, se o cara é chato, materialista, claramente egoísta, que valoriza mais as coisas do que as pessoas, essa união corre sério risco de desabar. Antonio abandona a mulher com quatro crianças. Não volta mais, apenas quando a casa está vazia para levar as estantes (e deixar os livros). A vida da família transcorre se adaptando à ausência desse indivíduo.

Ao marido não é dado o protagonismo.* Ganha de longe uma mocinha trabalhadora, que cumpre suas obrigações com fidelidade e vai além com o carinho que dá às crianças.

O que se ganha para fazer aos outros tanta maldade? Um dos enfoques do filme é o abandono e praticamente o alega a um motivo fútil, algo como um cocô de cachorro. O mau-caratismo daqueles homens é evidente. O diálogo quase único que tem com a mulher é sobre banalidades. Do que se revela o que ressalta é a ausência de amor. Mas… Como entender? Essa questão não é do filme. Ou é?

Uma simples doméstica é capaz de dar aos filhos dos patrões o que eles não recebem por parte do pai ausente. O filme aponta que não é preciso ser merecedor de um mal, ele pode acontecer de repente, em um vacilo. É preciso estar atento (Mãe para empregada: Como você foi ingênua!), embora um descuido de atenção pode por tudo a perder (Mãe para empregada: Eu te pedi para limpar o cocô do cachorro!).
É também claro que alegações e pretextos ocorrem em situações que já tem algo premeditado, em andamento.

Como uma onda, aquele avião que corta o infinito traz e leva o enredo, e pode apontar para algo que transforma. O que está agora, pode não estar daqui a pouco. Mas, há um retorno. A vida talvez seja um leva e traz. Um vai e vem… Infinito, como diz Lulu Santos. É também como mostram as ondas que levam e trazem as crianças para a margem do mar.

Agora, em 2019, ver o filme ROMA (2018) pode levar alguns a momentos nostálgicos. A história se passa entre 1970 e 1971. Ele carrega na cor preto e branco o passado, como se o autor** detivesse o fio da meada que precisasse desvelar.
**Sim, autor porque escreveu, dirigiu, editou, fez câmera e talvez mais alguma coisa.

Em tempo: Esta publicação é feita neste momento de pausa do blog. As postagens de agora em diante continuarão ainda de forma irregular. Peço que continuem aqui. Um abraço.

Ana Muniz

ROMA. 2018. 135min, drama. Direção e roteiro de Alfonso Cuarón. Com Yalitza Aparicio, Marina de Tavira e outros.

*Mudei essa frase da primeira postagem, pois utilizei “menos mal” e não quero entrar nessa controvérsia entre adjetivos e provérbios e substantivos e etc e tal.

PENSANDO NO FILME fará uma pausa

Olá, pessoas amigas, leitoras e leitores, e visitantes que por aqui passam:

Como alguns sabem, iniciei este blog em 2009 e em 2011 fiz uma interrupção porque voltei aos bancos da faculdade para fazer um curso de pós-graduação, onde realizei o documentário FIOS. Retornei ao blog no ano de 2015 e neste início de 2018 farei nova pausa. Vou continuar a dedicar o meu tempo ao audiovisual, mas agora de outra forma, que irá me ocupar além da  conta.

Como o que faço aqui são exercícios de pensar em filmes, pode ser que retome o mesmo percurso ao voltar daqui a alguns meses. De fato, eu adoro pensar nisso. Gosto muito de observar os filmes. E é por isso que é bem provável que volto.

Um grande abraço e obrigada.

Ana Muniz

 

Lady Bird

Parece comum que realizações cinematográficas com grandes ou pequenos (raros) orçamentos almejam no seu percurso a estatueta hollywoodiana, devido à repercussão que isso causa, quanto à fama que reflete diretamente na venda da obra, das imagens.

Não vou dizer “apelo” porque pode soar pejorativo, mas, é grande o enfoque emocional no filme Lady Bird quanto à relação mãe e filha e também o rumo dado à vida da jovem tão imbricada no controle materno.

Se os filmes são grandes fontes que alimentam nosso espírito e pode iluminar certos caminhos, este é mais uma experiência imperdível.

Sem muito dizer para deixar rolar o interesse de cada um, penso que o enredo remete em especial aos estados traumáticos. No caso desta história, lembro do ditado “Casa de ferreiro, espeto de pau”.

Bom lembrar que educar não é fácil, e sempre é bom a ajuda de profissionais para enfrentar as dificuldades.

Dá para notar que, no fundo, o filme faz críticas à cidade de Sacramento (California), onde nasceu a roteirista e diretora Greta Gerwig.

Me chamou a atenção os cortes nervosos. Não pense que a música que conduz uma cena da mãe dirigindo é para te envolver em uma situação de encanto. Logo, a melodia será interrompida abruptamente por um bater de porta de carro.

É isso.

Ana Muniz

Lady Bird: É Hora de Voar (Lady Bird). EUA, Drama. 1h 34min. Diretora e Roteirista Greta Gerwig. Atuam: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, entre outros.

A Forma da Água

bancoInstigante contexto acolhe esta fantasiosa história de amor. Ela se passa em um clima controverso do ambiente militar e militarizado e sigiloso de um grupo de americanos em plenos anos 1960. Mais parece um conto de fadas que dialoga com o real.

Fui seduzida pelo filme quando observei a protagonista, uma faxineira e outra coadjuvante de um centro de pesquisa aeroespacial americano em pleno período da Guerra Fria.

É chamado de Guerra Fria o evento ocorrido a partir do final da II Grande Guerra, quando intensificaram as disputas entre  Estados Unidos e URSS pela hegemonia político-econômica mundial. E justamente essa é a intriga criada no pano de fundo do filme A Forma da Água.

Será que o filme abrange a questão de quem teria começado a Guerra Fria? Fiquei em dúvida quando percebi a questão dos bolos. Bem sutil?

boloOnde os bolos aparecem? Logo no início tem o primeiro.  Na prancheta do pintor. Um bolo vermelho.  O segundo aparece logo a seguir:  Um bolo branco com algo azulado acima, faltando uma fatia. As bexigas coloridas junto ao banco contêm também as cores do bolo. Seria uma atitude afirmativa que aponta para a questão das cores que se relaciona mais com América do Norte do que com a antiga URSS, à qual é dada a cor vermelha?  É o diretor e roteirista que está nos comunicando a sua versão da história que acolhe a fantasia. Enquanto isso,  a personagem Elisa, que surge junto com imagens oníricas vai protagonizando as ações. vitrineEla é uma mulher sonhadora, romântica, que cobiçou o par de sapatos vermelhos na vitrine, e depois pregou os olhos no bolo branco que o homem segura, sentado no mesmo banco. Por um rápido instante, este homem que porta o bolo fica em primeiro plano, ao levantar para entrar no ônibus. Nada é por acaso. São as sentenças do cinema.

Bem, a história do bolo continua.  No filme.

A ficção tem a intenção de aproximar do real nas falas também, por exemplo, quando o artista ao olhar para a televisão comenta sobre Alice Faye (1915-1998). De fato, foi uma atriz que esteve no ápice da carreira entre 1930 e 1940.

Obviamente é uma história muito bem construída. Observem o áudio. O barulho da sirene, quando Alice acorda, vai ser explicado por Giles, seu amigo e vizinho. Como o tempo das ações decorre naquele intervalo da noite, a partir do acordar e da saída da faxineira à rua para o trabalho, o caminhão dos bombeiros atravessa a tela mostrando o agente do ruído que perpassa pelas ações. Isso torna a cena mais crível e nossos sentidos são mais aguçados para embrenharmos pela história. Dentro dessa sequência o roteiro mostra a situação social da personagem: Ela mora de aluguel. Assim, temos dados que reforçam a continuidade do momento, de um ponto a outro do filme.  Como se não houvesse interrupção, devido a uma montagem exata.

Outro dado a respeito da construção é a apresentação do marido por Zelda, amiga e colega de trabalho de Elisa. Ela insiste em dar informações a respeito dele. Mais adiante, ele terá uma função que é pontual e justifica o falatório.

Mais ou menos aos 30 minutos, o filme se volta para o Strickland, o segurança cheio de segundas intenções, e apresenta o dia a dia de uma família americana de Baltimore. Esta sequência e outras vão se somar e contar este relato que inclui partes que mostram preconceito racial, homofobia, assédio. A espionagem russa também está presente e atuando intensamente entre os americanos, que inclui um modo colaboracionista junto aos que são contra as atitudes daqueles.

cineOs bons cineastas não abandonam a referência à história do cinema em seus filmes. Guilhermo del Toro vê nessa época (América/Anos 1960) a decadência das salas e a luta de seus proprietários para atrair o público. Enquanto as vitrines estão repletas de televisores em preto e branco representando os novos avanços tecnológicos.

Por outro lado, o quadro de Giles vai representar todo um passado que querem deixar para trás, que se soma ao saudosismo presente no suspirar de Elisa ao ver a cantora na TV.  A pintura da família feliz e o bolo metafórico com a frase  “O futuro está aqui!!”  revela cunho político. Idealismo. (Naquela época) O futuro está onde?

O Brasil está presente nas entrelinhas, através da América do Sul e também de Carmem Miranda. Claro que sabemos dos olhos dos capitalistas que já convergiam para cá. É praticamente óbvio que o histórico e a ficção estivessem referindo ao Brasil como o país do futuro, observando as falas e a música que sobe e escutamos “Chica Chica Boom Chic”, na voz de Carmem Miranda. Mas, neste ambiente fantasioso, o que ressalto é a relação de amizade entre os três personagens, Elisa, Giles e Zelda. Além da belíssima relação amorosa criada para Elisa e o estranho da água.

É isso. Salve os amigos!

Ana Muniz

=> Oscar 2018? Sim. Quantos? Não sei. O filme é excelente, mas preciso ver os outros.

A Forma da Água (original The Shape of Water), EUA, Fantasia, Drama. Adaptação. 2h 2min, 2017. Diretor e escritor: Guilhermo del Toro.  Roteiristas: Guilhermo del Toro, Vanessa Taylor. Atuam: Sally Hawkins, Michael Shannon, Richard Jenkins, Octavia Spencer, Doug Jones, entre outros.